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André Carretoni


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"Piedade Moderna", Rio de Janeiro (2005)
"
Mais Alto que o Fundo do Mar", Lisboa (2008)

Convite para o lançamento do livro "Piedade Moderna", Rio de Janeiro (2005)

Minha querida amiga, meu querido amigo,

Estou aqui para compartilhar um momento de minha vida com você. No dia 19 de outubro de 2005, às 18 horas, terá lugar no Espaço Cultural da Justiça Federal, o lançamento de meu primeiro romance, Piedade Moderna, o que será, para mim, um acontecimento tão feliz quanto importante.

Tudo começou com um sonho, em meados de 1997. Ou terá sido antes...

Já era há tempos um apaixonado pela arte, mas foi somente após assistir a um filme sobre a vida de Ernest Hemingway que pude ter a certeza do canal criativo ao qual dedicaria minha vida e que utilizaria como forma de arrancar do peito toda esta paixão que sinto. Sonhei que, um dia, escreveria um livro.

Assim, em 1998, parti do Brasil para Portugal.

Há quem diga que essa não é a maneira mais lógica de alcançar esse objetivo, mas, como eu penso que um escritor deve ser, acima de tudo, um mar de experiências, para, somente então, poder colocar tudo aquilo que sentiu - e apenas o que sentiu - no papel, essa foi a minha maneira. Com isso, escrevi o primeiro rascunho de Piedade Moderna em doze dias, mas demorei mais de sete anos para escrevê-lo.

É claro que o amadurecimento literário também é importante, contudo, se trabalhar bastante e tiver boas condições de cultivo, um escritor poderá sempre amadurecer como certos vinhos.

"Havia quatro jogadores de porrinha.

Durante uma partida, um deles descobriu que o mundo iria acabar.

– Pessoal, ferrô! O mundo vai acabar!

– Tá dizendo o quê, cara? –
perguntou o segundo jogador.

– É isso mesmo! O mundo vai acabar, e, por causa disso, eu tô sartando fora! Eu vou passar os últimos segundos de minha vida com minha mulher e meus filhos. –
e, dizendo isso, partiu.

– Que isso... –
meditou o mesmo segundo – Mas querem saber?! Eu também vou cair o fora daqui! Eu tô arrependido de meus pecados e vou passar os últimos minutos de vida rezando! – partindo por sua vez.

– Puxa! –
exclamou o terceiro – Eu passei muito tempo jogando e acabei perdendo todo o meu tempo com vocês! Eu vou mais é passar os instantes que me restam fazendo algo diferente. – partindo também.

E, então, o quarto jogador disse:

– Pois eu vou ficar aqui e terminar o jogo."


Com persistência, venci. Quando cheguei ao exterior, conheci a solidão, as saudades, a angústia e a dúvida, mas, enfim, conquistei a minha meta. Hoje, não sou um escritor porque escrevi um livro, mas escrevi um livro porque eu sou um escritor.

Tenho outros sonhos, e a conclusão duma etapa sempre será o início duma próxima, mas posso dizer que já encontrei uma felicidade que apenas encontramos com nossa determinação e fé.

Obrigado.

André Carretoni

Centro Cultural da Justiça Federal, RJ (1959)

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