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"Piedade", finalizado
"O Conto dos Contos e Outros Contos", em produção
"Telma, A Tragédia do Desencontro", em produção
Estão expostos nesse livro, pela lente do autor, certos questionamentos de nossa época; questões sobre os valores de nosso século e sobre nossa relação com este mundo globalizado. O personagem central vive o dilema básico do sujeito à busca de referências.
José da Silva acordou de um sono profundo e manteve os olhos fechados. Sentira-se observado. Morava sozinho, dormira só e nunca dera uma cópia de suas chaves, mas, mesmo assim, despertou certo de que seu sono estava sendo velado.
Essa é uma história de amor marcada por um desencontro, mas é também a história de uma tragédia, marcada pelo amor (homenagem às vítimas do atentado de Madrid, de 11 de março de 2004).
Livros Publicados
"Piedade Moderna", Rio de Janeiro (2005)
"Mais Alto que o Fundo do Mar", Lisboa (2008)
Diário do Escritor 2011, Rio de Janeiro (agosto, 2010)
Selecionado para publicação no Diário do Escritor 2011 da Litteris Editora, com o texto D5TR.
D5TR
Ela se sentou à mesa do fundo e pediu um chope. Eu também levantei o dedo.
Jamais, em toda a minha vida, havia visto uma mulher como ela.
Ela sorriu, e eu avancei o peão do bispo do rei. Eu sorri também.
Ela avançou o peão do rei, e eu avancei o peão do bispo do rei duas casas.
Eu inclinei a cabeça, ela corou, e eu sorri novamente.
Ela retornou a inclinação e moveu a rainha para a quinta casa da torre do rei.
Xeque-mate.
E eu fiquei ali, estático, apaixonado, vencido. Uma vitória sem mortes.
Meu reino passou a ser seu, e meus exércitos passaram a lutar ao seu lado.
Convite para o lançamento do livro "Piedade Moderna", Rio de Janeiro (2005)
Minha querida amiga, meu querido amigo,
Estou aqui para compartilhar um momento de minha vida com você. No dia 19 de outubro de 2005, às 18 horas, terá lugar no Espaço Cultural da Justiça Federal, o lançamento de meu primeiro romance, Piedade Moderna, o que será, para mim, um acontecimento tão feliz quanto importante.
Tudo começou com um sonho, em meados de 1997; ou terá sido antes...
Já era, havia tempos, um apaixonado pela arte, mas, somente após assistir a um filme sobre a vida de Ernest Hemingway, pude ter a certeza do canal criativo ao qual dedicaria minha vida e que utilizaria como forma de arrancar do peito toda esta paixão que sinto. Sonhei que, um dia, escreveria um livro.
Assim, em 1998, parti do Brasil para Portugal.
Há quem diga que essa não é a maneira mais lógica para alguém alcançar esse objetivo, mas, como eu penso que um escritor deve ser, acima e antes de tudo, um mar de experiências, para, somente então, poder colocar tudo aquilo que sentiu - e apenas o que sentiu - no papel, essa foi a minha maneira; com isso, escrevi o primeiro rascunho de Piedade Moderna em doze dias, mas demorei mais de sete anos para escrevê-lo.
É claro que o amadurecimento literário também é importante, contudo, se trabalhar bastante e tiver boas condições de cultivo, um escritor poderá sempre amadurecer como certos vinhos.
"Havia quatro jogadores de porrinha.
Durante uma partida, um deles descobriu que o mundo ia acabar.
– Pessoal, ferrô! O mundo vai acabar!
– Tá dizendo o quê, cara? – perguntou o segundo jogador.
– É isso mesmo! O mundo vai acabar, e, por causa disso, eu tô sartando fora! Eu vou passar os últimos segundos de minha vida com minha mulher e meus filhos. – e, dizendo isso, partiu.
– Que isso... – meditou o mesmo segundo – Mas querem saber?! Eu também vou cair o fora daqui! Eu tô arrependido de meus pecados e vou passar os últimos minutos de vida rezando! – partindo por sua vez.
– Puxa! – exclamou o terceiro – Eu passei muito tempo jogando e acabei perdendo todo o meu tempo com vocês! Eu vou mais é passar os instantes que me restam fazendo algo diferente. – partindo também.
E, então, o quarto jogador disse:
– Pois eu vou ficar aqui e terminar o jogo."
Com persistência, venci. Quando cheguei ao exterior, conheci a solidão, as saudades, a angústia e a dúvida, mas conquistei a minha meta. Hoje, não sou um escritor porque escrevi um livro, mas escrevi um livro porque, enfim, me tornei um escritor.
Tenho outros sonhos, e a conclusão duma etapa será sempre o início duma próxima, mas, ao menos, posso já dizer que conheci aquilo que recebemos por nossa determinação e fé.
André Carretoni













Centro Cultural da Justiça Federal, RJ (1959)