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Index
6º Arrondissement - Geração Perdida (Tertúlia/dezembro de 2011)
7º Arrondissement - Les Invalides (Tertúlia/novembro de 2011)
8º Arrondissement - Les Champs Elysées (Tertúlia/novembro de 2011)
9º Arrondissement - L'Opéra de Paris (Tertúlia/outubro de 2011)
10º Arrondissement - Les Gares (Tertúlia/setembro de 2011)
11º e 12° Arrondissements - Bastilha (Tertúlia/julho de 2011)
13° Arrondissement - Chinatown (Tertúlia/junho de 2011)
14° Arrondissement - Catacumbas (Tertúlia/maio de 2011)
15° Arrondissement - Salão do Livro (Tertúlia/março de 2011)
16° Arrondissement - La Tour Eiffel / 7º Arrond. (Tertúlia/fevereiro de 2011)
17° Arrondissement - Paris mulher (Tertúlia/fevereiro de 2011)
18° Arrondissement - Montmartre (Tertúlia/janeiro de 2011)
6º Arrondissement (dezembro de 2011)
Geração Perdida
Acorde cedo. Caminhe pelas ruas de Paris e procure uma mesa para escrever no Les Deux Magots, ou no Café de Flore. Almoce no Brasserie Lipp. Antes na Closerie des Lilas. Passe a tarde no jardim do Luxembourg, leve o livro "The Sun Also Rises" para ler, depois visite Stein, Fitzgerald, e Papa Hemingway. Procure a placa que indica o lugar onde a livraria Shakespeare and Company se encontrava, na altura em que Sylvia Beach aceitou publicar a primeira edição do Ulysses de James Joyce. Tome um aperitivo no La Rotonde, outro no Le Select e jante uma belle entrecôte saignante no Polidor. Pronto. Você agora faz parte da geração perdida e poderia até ter participado do último filme do Woody Allen.
Outras sugestões para a sua jornada: caçar com o seu filho, no jardim do Luxembourg, os pombos que vocês irão comer no jantar; jantar no Brasserie Lipp e comer um jarret de porc com choucroute; passar a manhã ou a tarde escrevendo na Closerie des Lilas, perto do Marechal Ney; ou aprender a escrever com Cézanne no museu do Luxembourg. Se eu não estivesse satisfeito com o meu arrondissement e se os preços do sexto não fossem tão mais caros do que aquele que eu pago, seria lá onde eu gostaria de estar morando, perto do Odeon e da Igreja Saint-Sulpice, perto da Rose Line e entre os cafés onde eu poderia estar tentando escrever um livro menos comercial do que o código de Dan Brown.
Se bem que Paris mudou muito desde o período pós-guerra (primeira). Lá se foi o tempo em que era possível viver aqui com dois dólares por dia e passar a tarde inteira na Closerie quase sem consumir e escrevendo. Hoje, se você quiser fazer uma refeição no La Rotonde, prepare a carteira. Vários restaurantes de Paris abusam nos preços apenas porque um desses escritores, que viveram aqui com dificuldades financeiras, fora um de seus clientes ao menos uma vez.
O restaurante Polidor somente aceita pagamento em cash, e o banheiro do restaurante é turco.
Tenho uma prima que não levou a sério essa informação. Estávamos caminhando pelo Boulevard St-Germain, ela me disse que precisava ir ao banheiro, e eu lhe dei duas opções: procuraríamos uma das cabines públicas e gratuitas de Paris, ou esperaríamos até que chegássemos ao restaurante, se ela não se importasse de utilizar um banheiro turco. Ela riu de mim e escolheu a segunda opção, e gostaria de ter feito uma foto da cara dela quando ela voltou para a mesa.
"If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life it stays with you, for Paris is a moveable feast." (Ernest Hemingway)
"Se você é sortudo o suficiente para ter vivido em Paris quando jovem, então aonde quer que vá para o resto de sua vida Paris permanece com você, porque Paris é uma festa móvel."
Não tenho a pretensão de criar um movimento literário e cheguei a Paris com 37 anos, mas todos os arrondissements de Paris também partirão comigo, principalmente o sexto.
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7º Arrondissement (novembro de 2011)
Les Invalides
Como já falei da Torre Eiffel quando escrevi sobre o 16° arrondissement, aproveitando uma deixa do filme Inception, hoje darei espaço a outros 3 pontos turísticos de Paris: o museu Rodin (Sexus), a capela da Medalha Milagrosa (Nexus) e Les Invalides (Plexus).
A primeira vez que fui tocado pela musa foi graças à estátua do Pensador, de Auguste Rodin. Estava folheando a enciclopédia Larousse de uma amiga, ainda no Brasil, quando, virando uma página, dei de cara com o homem de bronze.
Todos sabem onde se encontra o chakra da criatividade.
Até hoje, nenhuma outra obra artística me disse tanto quanto essa. Está tudo ali, não esculpido, mas em significado. Chapado e imaculado (stoned and immaculate – Jim Morrison). O corpo limitado do ser humano em contraste com o universo infinito, o qual pode ser explorado, por alguns, sem que tenhamos de sair do lugar.
« The silence tell me in secret everything, everything. »
"O silêncio me conta em secredo tudo, tudo."
(Let the Sun Shine, trilha sonora do filme Hair)
Naquele dia, comecei a ser um apaixonado por esculturas. Passei por Dali, Camille Claudel, Canova e parei em Michelangelo, o Divino, consciente de que, pra lá, não existe mais nada. E foi graças a Camille Claudel, a louca desvairada, que pudemos conhecer uma das histórias de amor mais trágicas da História da Arte.
Ela, jovem, solteira, bonita, apaixonada por um artista reconhecido, velho, casado. Dizem que ela foi capaz de esculpir a face de Rodin depois de tê-lo visto apenas uma vez.
Quando Rodin resolveu cortar as ligações que mantinham e permanecer ao lado de sua esposa, Camille quebrou as obras que tinha feito, começou a viver com trinta gatos e morreu num hospício. Felizmente, alguns de seus trabalhos sobreviveram, e hoje também se encontram no museu Rodin, no 7° arrondissement.
Outra obra do escultor que me estimula a refletir é a Porta do Inferno, localizada nos jardins do museu, sendo que, desta vez, o contraste fica por conta da Porta do Paraíso, localizada no Batistério de São João, em Florença, na Itália.
Existem duas opções para visitar o museu: apenas os jardins e os jardins + o museu. Aconselho veementemente ao visitante a entrar no atelier onde Auguste trabalhou e viveu. Para quem gosta de escultura, é um prato cheio, mesmo que seja cheio da cabeça do São João Batista.
Subindo a estátua do corpo humano, encontramos a capela da Medalha Milagrosa, na rua do Bac, lugar de repouso da irmã Catherine Labouré e um dos pontos turísticos mais visitados de Paris, sendo você religioso ou não. Conta a história que Nossa Senhora apareceu para a freira e lhe pediu para fazer uma medalha que levaria suas graças a quem lhe portasse, e apenas no ano passado reconheci a medalhinha que minha avó tem usado desde jovem perto do coração.
O sexo ficou para baixo, o amor ficou para baixo, chegamos à lógica.
Se você ainda estivesse vivo daqui a duzentos anos, você construiria um templo para homenagear Hitler, Mussolini, Mao Tsé-Tung ou Estaline? Ou um dos maiores estrategistas de guerra da história da humanidade? Pois é. Eles o fizeram. Apenas para recordar-nos o período em que a França fora a senhora do mundo, mesmo que essa posição tenha sido alcançada graças a muita opressão e pilhagem. Mais valia terem feito um templo para homenagear Beethoven, que havia intitulado a terceira sinfonia de Buonaparte e que mudara o seu nome para Eroica após saber o que o autoproclamado imperador andava fazendo em nome da liberdade.
Enfim, se você entrar no hotel dos inválidos para ver o túmulo de Napoleão, você terá de se curvar diante de seus restos mortais, já que a urna de mármore onde eles se encontram fora estrategicamente colocada para nos levar a realizar tal vênia.
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8º Arrondissement (novembro de 2011)
Les Champs Elysées
Tendo chegado, enfim, ao epicentro turístico de Paris, restam-me duas opções: escrever sobre o Arco do Triunfo e os Champs Elysées e ficar aquém dos milhares de guias que já tratam do assunto ou elaborar um pequeno guia intitulado “aquilo que um turista precisa saber para não ser enganado em Paris”, um manual de sobrevivência que sempre desejei escrever e entregar nos portões de desembarque dos aeroportos Orly e Charles de Gaulle.
O oitavo arrondissement de Paris é, normalmente, o primeiro, do ponto de vista dos turistas. Foi assim pra mim. Na primeira vez que vim a Paris, quis ficar num hotel que se localizava perto do Arco do Triunfo e achei que era lá que a vida acontecia. Realmente, é lá que a vida acontece, mas não a vida do parisiense que admiro, na qual podemos comprar peixe na feira e baguetes para colocá-las embaixo do braço (quel cliché). Hoje, depois de quatro anos vivendo aqui, raramente atravesso os Campos.
Claro que esse é o lugar ao qual não podemos deixar de ir numa primeira visita a Paris, mas, se você estiver planejando uma segunda visita à Cidade Luz, escreva-me e peça-me uma lista dos lugares que aconselho. Terei muito gosto em compartilhar “aquilo que Paris tem de melhor pra mim” com você, e o grande arco não estará dentro do meu roteiro.
- Jornal
Nem todos os jornais que nos enfiam na barriga são gratuitos. Apenas os jornais que nos dão no metropolitano o são: Metro, 20mn e Direct Matin. Se você decidir por segurar certo jornal que costumam distribuir na rua, tenha a consciência de que irão cobrar por ele.
Imagem: alguém lhe oferece um jornal, você segura o jornal, esse alguém diz que o tal jornal custa cinco euros, você lhe estica o jornal de volta, diz “não obrigada(o)”, e esse alguém faz tudo para não pegar o jornal de volta e receber uma pequena colaboração por ele.
- Lista de assinaturas
Desconfie dos abaixo-assinados. Se você encontrar uma pessoa dizendo que é muda e surda e pedindo assinaturas, saiba que aquilo que ela está pedindo é uma contribuição monetária para uma instituição que eu nem sei se existe.
Imagem: você aceita assinar a folha que nos enfiam na cara, a pessoa que está recolhendo assinaturas lhe pede para assinar uma segunda vez, uma terceira, ela tira o polegar do alto da folha, e você vê um valor em euros.
- Anel
Tampouco aceite anéis que tenham sido encontrados no chão por outra pessoa.
Imagem: uma pessoa finge encontrar um anel de ouro no chão, pergunta se o anel é seu, você diz que não, ela lhe oferece o anel, dizendo que não usa bijuterias, você aceita, e ela lhe pede uma colaboração por ele (afinal, trata-se dum anel de ouro e ela lho está oferecendo).
- Miniaturas da torre
Esta é mais delicada, pois a pessoa que costuma vender miniaturas da torre Eiffel na calçada não está roubando, está sendo explorada.
O problema aqui é que essas miniaturas têm vindo da China, ou seja, podem ter sido pintadas com tinta tóxica, foram produzidas em fábricas onde há trabalho escravo e levam à falência lojas de souvenirs francesas que estão tentando pagar seus impostos e o salário de seus funcionários. A pessoa que está ali vendendo a miniatura ganha muito pouco dinheiro, e este costuma ir para um explorador de estrangeiros ilegais. O mesmo serve para os vendedores de castanha assada.
- Muleta
Desconfie das pessoas que estejam de muleta e pedindo dinheiro; algumas são tão curvadas que quase tocam a testa no chão enquanto caminham.
Quando trabalhei em Montreuil, cansei de ver pessoas andando normalmente e com uma muleta na mão. Elas estavam indo em direção ao metrô para mais um dia de labuta.
- Mão-leve
O que aqui não tem de assalto à mão armada tem de carteirista. Tome cuidado com sua bolsa, mochila, saco etc. Se for entrar num metrô abarrotado de pessoas, coloque sua mão na carteira, abrace sua mochila, sua bolsa e tenha sempre um olho na nuca. Muitos carteiristas ficam andando de metrô para cima e para baixo à procura dos mais desavisados, mas não é apenas no metropolitano onde esse tipo de roubo acontece por aqui.
- Pulseirinha colorida
Alguém irá com certeza lhe pedir para segurar a ponta de um barbante colorido. Você poderá segurá-la, mas esteja consciente de que a intenção dessa pessoa será lhe vender uma pulseira artesanal.
- Jogo dos 3 copinhos
Tenho visto muito esse golpe ultimamente. Trata-se daquele velho jogo de colocar uma bolinha embaixo de três copinhos e de misturar os copinhos para que você aposte no lugar onde você pensa que a bolinha está.
Passe longe. Uma pessoa da equipe de golpistas costuma fingir que é turista e apostar dinheiro somente para atrair os jogadores inveterados. Não sei como fazem, mas sei que você sempre perderá o seu dinheiro.
- Almoço
Três boas opções para tapear a fome (nossa vez de dar um golpe): “Paul”, “Brioche Doré” e “Pomme de Pain”.
Golpistas existem em todo o mundo, e detesto que as pessoas sejam enganadas por causa duma boa fé. Por favor, envie essa lista aos marinheiros de primeira viagem e não deixe de lhes dizer para aproveitar ao máximo o lado positivo de Paris, que é muito maior do que aquele onde podemos encontrar esses detalhes.
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9º Arrondissement (outubro de 2011)
L'Opéra de Paris
Eu estava em Lucca, na Itália, na porta do apartamento de Puccini, quando, abrindo a carteira, realizei que havia deixado meu cartão de crédito em Florença. Não poderia naquele dia visitar o lugar onde Puccini tinha vivido.
Hoje estou no nono arrondissement de Paris, no terraço da Galeria Lafayette e tenho diante de mim a ópera Garnier. Todavia, nunca esqueci Lucca. Gostaria de escrever sobre o amor incondicional como Puccini foi capaz de fazê-lo compondo.
Olho para o horizonte e vejo a torre Eiffel, o que não rouba minha atenção. Seria capaz de agarrá-la com as mãos, como um brinquedo, jogá-la para cima, mas tudo o que a minha vista procura é um barco que esteja sendo capaz de trazê-la do seu país distante. Ela teve de partir? Estava escrito que ela teria de partir? Deixou-me seu sorriso e levou minhas orações; deixou-me sua imagem e levou a infância de minhas realizações. As folhas recomeçaram a cair. O outono chegou novamente. Depois mais um inverno chegará, mais outro inverno chegará, e eu insistirei em eternizar esta primavera de esperança para poder viver, para poder resistir, mesmo sem saber até quando, até quando poderei resistir.
Vejo um movimento no rio Senna. Será ela? Será ela? Não. É apenas mais um barco lotado de máquinas fotográficas, duma louca correria. Como posso desistir de seu amor? Acreditar que nós não fomos feitos para estarmos juntos? Que tudo não passou de uma criação daquilo que acredito ser o infinito?
Que saudades de minha juventude, que portou consigo suas melhores forças, suas frases perfeitas de que o futuro seria perfeito e que eu conseguiria realizar todos os meus mais divinos desejos. Uma juventude que acreditou que ficaria com ela, mesmo antes de tê-la conhecido.
Um segurança da galeria toca o meu ombro. A loja irá fechar dentro de 15 minutos. Mas como partir se eu nunca voltei daqueles momentos que vivi?
Fico na ponta dos meus pés. Tento ver mais longe, o oceano. Volte para mim! Volte para mim! Contudo, tudo que escuto são folhas secas e pontiagudas a caírem no chão. Outro outono, outro inverno, outro barco sem ela.
Sinto gotas de água na minha face. Lágrimas que voltaram ao lado dos primeiros flocos de uma neve que não deixou de cair, que tem caído desde o dia do seu adeus, do último abraço que ela me deu.
Até quando? Até quando? Até quando conseguirei acreditar que ela sabe que eu existo? Que eu penso nela? Até quando serei capaz de andar em frente, de procurá-la em cada nova vida? De esperá-la com toda esta paixão que sinto?
Mas um belo dia eu verei, a elevar-se a partir do extremo confim da periferia, um fio de fumo.
E depois o Bateau Mouche aparecerá.
E depois o Bateau Mouche ancorará no quai des Tuileries.
E estrondará o seu apito!
Viram?! Ela veio!
E eu não irei ao seu encontro. Eu não.
Colocar-me-ei lá, sobre as escadarias da Madeleine e esperarei.
E saído da multidão de turistas, uma mulher, um pequeno ponto caminhará pelas ruas de Paris.
Quem será? Quem será?
E como terá chegado aqui?
Que dirá? Que dirá?
Chamará Papillon de longe.
E eu não darei uma resposta.
Ter-me-ei escondido.
Um pouco por brincadeira,
Um pouco para não morrer ao primeiro encontro.
E ela um tanto em aflição, chamará, chamará:
Grande homem, cheiroso dente-de-leão.
Os nomes pelos quais me chamava quando me via.
Tudo isso acontecerá. Eu prometo.
Retenha o medo! Eu com uma fé inquebrável esperarei! Esperarei!
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10º Arrondissement (setembro de 2011)
Les Gares
Paris é uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, ao lado de Londres e Nova York. Jamais me senti um estrangeiro aqui e, pela primeira vez desde que cheguei à Europa, deixei de me sentir "o" brasileiro. Claro que as coisas estariam sendo diferentes se eu não fosse branco ou se eu usasse um lenço na cabeça, mas, mesmo que o racismo continue existindo até mesmo na França, em Paris, até os homossexuais são visto como apenas mais um povo estrangeiro. Em Paris, você pode sair com uma melancia na cabeça, com o cabelo rosa, com uma saia escocesa que ninguém vai ficar jogando piadinhas pra você.
Melancias, direito de expressão, negócios à parte. Eu sou a favor da lei que proibiu o uso da burca em território francês. Se eu fosse assaltar um banco, a primeira coisa que eu faria seria meter uma burca na cara.
Voltemos ao ponto de convergência.
Mais de 120 nacionalidades habitam no 10° arrondissement de Paris. Se você é africano ou árabe e está prestes a desembarcar em Paris, você provavelmente irá desembarcar no 10° arrondissement. Além disso, duas estações de trem – Gare du Nort e Gare de l’Est – fazem desse bairro um dos corações mais ativos do mundo. Ele bombeia, diariamente, mais de 800 mil pessoas.
Durante seis meses, fui professor de informática voluntário num dos polos de inserção social desse bairro. Ensinei a turcos, iranianas e árabes desde o que é um mouse até o abrir de um endereço eletrônico, e o meu maior desafio foi ensinar um pouco do que sei para pessoas que quase não sabiam falar alguma das línguas que eu conheço. O que foi uma excelente oportunidade para participar do « Liberdade, Igualdade e Fraternidade », conhecer diferentes culturas e tomar cafés existencialistas com um tocador de saz.
Existem dois Arcos do Triunfo no 10° arrondissement, menores do que o mais conhecido. Louis XIV os erigiu. Ele mandou construí-los em sua glória e em honra de suas vitórias sobre o Rhin e em Franche-Comté, e aposto que Napoleão teve a intenção de superá-los quando mandou construir o seu.
Há um simpático centro de yoga na Rue du Faubourg St. Martin, onde você pode tentar sair deste trem louco da sociedade moderna e aprender a cozinhar pratos vegetarianos. Adoro carne vermelha, mas gostaria de não sentir a necessidade de comê-la. E há uma escola de jazz na Rue Petites Ecuries, cujos professores podem contar com um dos filhos do violonista Baden Powell, Philippe Baden Powell, que, para minha surpresa, ensina piano.
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11º e 12° Arrondissements (julho de 2011)
A Bastilha
Um dos melhores livros que já li até hoje é O Conde de Montecristo, o qual li no trabalho, numa época em que não tive muito que fazer. Tinha ido para Lisboa havia seis anos e tinha trabalhado muito, mas o BUG do ano 2000 e a conversão do Escudo para o Euro haviam ficado definitivamente para trás e alguém seguia desviando dinheiro por cada trabalhador autônomo estrangeiro.
Livros em PDF – que ninguém me imagine com o tijolo do Alexandre Dumas em cima do meu teclado. Esses arquivos foram e têm sido um grande bálsamo para as tardes monótonas de alguns informáticos, e posso garantir que muitos dos meus chefes têm jurado que aquilo que eu tenho estado a ler faz parte de algum acervo de manuais.
Digno de dizer que fiz o mesmo com Os Sertões, de Euclides da Cunha e teço os mesmos elogios para esta obra, mas o assunto de hoje é a vida de Edmond Dantès.
Imagine ficar meses e meses preso e sem conhecer o motivo de sua prisão. Pior, depois de ter vivido os últimos quatro anos enclausurado, receber a visita de outro prisioneiro, o abade Faria, que havia passado os últimos seis anos cavando um buraco. 6 anos, 6 anos cavando um buraco para chegar a lugar algum. 6 anos – importante incorporar tudo o que eu senti com esse livro em um parágrafo, daí a repetição. Seis anos e eu desesperado por ter de passar tardes de quatro horas na frente de um computador.
A fronteira imaginária entre o 11º e o 12° arrondissement marca o lugar onde ficava a Bastilha antes de sua queda. Sei que libertaram assassinos e ladrões, para além dos presos políticos e inocentes, mas quero apenas chamar a atenção pelo sentimento que teríamos sentido se também estivéssemos encarcerados nessa prisão em 14 de julho de 1789.
Poucos dos milhares de turistas que passam diariamente pela Bastilha voltam no tempo e meditam sobre o que a Revolução Francesa realmente significou para a França e para o mundo, e ainda menos pessoas fotografam a Coluna Julho e supõem o quanto essa tal Queda significou para cada um dos prisioneiros que se encontravam lá, naquele momento. Liberdade! Alguém chegou, abriu-lhes a porta e disse-lhes: "Você está livre! Passa batido antes que a gente bote esta coisa pra baixo e vá construir a Pont de la Concorde com suas pedras!". Liberdade: a necessidade mais básica de qualquer ser humano. Não podemos viver sem pão, sem dormir e sem nos reproduzirmos, mas nos tirar a liberdade é o mesmo que nos retirar a vida. Se o espírito pode continuar livre? Para alguns sim: Dalai Lama, Gandhi, Mandela...; contudo, fazendo parte dos bilhões de pessoas que ainda precisam do corpo para passear por aí, uma prisão para mim seria pior do que o apocalipse.
Não há nada que liberte mais a minha mente do que escrever. Escrevendo posso voar e viajar através de galáxias; posso falar de tudo, limitado apenas pelas grades daquilo que eu considero como sendo o certo, mas sei que não conseguiria escrever numa prisão e que preciso estar me sentindo em forma para poder escrever. A literatura liberta a mente, mas a ação liberta a alma. Uma ação que foi capaz de mudar a fisionomia de Paris e do mundo e que é louca o suficiente para...
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13° Arrondissement (junho de 2011)
Chinatown
Falar do décimo terceiro arrondissement de Paris é falar da China. Também existe uma Chinatown aqui. Ruas, e ruas, e os prédios mais feios de Paris lotados de chineses e de fábricas escondidas, e restaurantes, e lojas especializadas em produtos chineses e em tudo o que precisamos para abrir o nosso próprio restaurante de sushi/sashimi. Eu sei que essa é uma comida típica do Japão, mas tampouco as miniaturas da Torre Eiffel são feitas por descendentes da casa de Bourbon.
Impossível esta crônica não ter um lado político. Não tenho nada contra os bons chineses - pelo contrário, quando via os filmes do Bruce Lee, sempre ficava com raiva dos japoneses que tratavam os chineses como cães - mas, com o tempo, sabendo o que a República Popular têm feito ao povo tibetano, o que a República Popular tem feito para massacrar a liberdade de expressão, passei a gritar contra os seguidores da mosca tsé-tsé-tung. Hoje apenas aprendo Kanji para ser capaz de ler a língua do sol nascente.
Pecado. Bruce Lee não fez uma crítica ao regime comunista em seus filmes. O máximo que ele fez foi matar o símbolo indestrutível do capitalismo: Chuck Norris!
Hoje vivemos todos numa grande Chinatown! Vestimos tecidos chineses, usamos computadores chineses e apertamos parafusos chineses com chaves de fenda chinesas. Produtos sem qualidade, trabalho escravo, falsificações e monopólio. A China não tem o menor interesse de destruir a sua fonte de renda, seja ela qual for.
Vocês sabem porque a união europeia mudou de ideia e acabou emprestando dinheiro para a Grécia e para Portugal? Porque a China prontamente se ofereceu para ajudá-los e a UE sabia que não podia deixar que esses países se vendessem.
De quem é a culpa? Nossa. Da sociedade moderna. Pois as pessoas preocupadas por problemas que estão longe de seus olhos fazem parte da minoria. Um problema é apenas preocupante quando bate em nossa porta.
Ops! Quase me esqueci de falar da biblioteca François Miterrand, que também fica no 13º arrondissement e que tem a forma de dois livros abertos, o que teria sido um lapso imperdoável para quem procura viver da literatura.
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14° Arrondissement (maio de 2011)
Catacumbas
“Há algo de podre no reino da Dinamarca.” (Hamlet – William Shakespeare)
Não estou na Dinamarca, mas algo de podre levou o Conselho de Estado francês, em 1785, a trasladar os restos mortais de todas as pessoas que haviam sido enterradas em Paris para os túneis abandonados das pedreiras parisienses, que ficavam no décimo quarto arrondissement. Fora criada, assim, as Catacumbas de Paris. Não é um passeio que agrade a todos, mas não nos esqueçamos de que é para junto deles que todos vão.
Dizem os anais que, na altura, cada igreja possuía seu próprio cemitério e que a população de Paris estava adoecendo devido à contaminação provocada por um contato excessivo com matéria orgânica em decomposição.
ARRETEZ! C'EST ICI L'EMPIRE DE LA MORT
Com mais de seis milhões de criaturas desencarnadas, mais de 5 quilômetros de extensão, essa necrópole de Paris é um dos lugares mais visitados da França. Passou a ser ponto turístico em 1867 e um dos destinos mais procurados por jovens que gostam de beber em lugares estranhos.
Por sinal, conheço outras duas catacumbas: a de Évora (Portugal) e a de Messina (Sicília); essa última é a mais curiosa entre as três, pois seus habitantes repousam vestidos como se tivessem sido depositados prontos para acordar.
NÓS OSSOS QUE AQUI ESTAMOS PELOS VOSSOS ESPERAMOS
Fêmur, tíbia, crânio... Faz frio, estamos a vinte metros de profundidade e não há muita luz. Olhos vazios nos encaram, dedos magros apontam. Pense em uma cor viva e você não a verá. Tudo é escuro, silencioso, úmido. Minha mulher toca-me o ombro. Trocamos um beijo e rimos de um grafite que fora feito na testa de um crânio: um coração e duas iniciais. Um casal apaixonado do século passado.
No final do passeio, vários pensamentos retornam à mente: estou com fome, qual condução devo pegar, o trabalho que tenho de terminar segunda-feira.
Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
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15° Arrondissement (março de 2011)
Salão do Livro
Ontem fui ao Salão do Livro de Paris, curiosamente quando tinha de escrever sobre o décimo quinto arrondissement. E, melhor ainda, de graça, pois a organização do salão resolveu, neste ano, liberar a entrada para todas as pessoas que apresentassem a carteira de leitor das bibliotecas de Paris.
Hoje estou aqui para falar sobre esse salão, mas não posso deixar de aproveitar o ensejo para elogiar a rede de bibliotecas municipais que temos por aqui, com uma qualidade de serviço e um acervo de obras a perder de vista. A inscrição é gratuita, e posso pegar emprestado, por três semanas e com direito a duas renovações, até quarenta livros.
Assim como nos outros dois anos em que fui ao salão de livros, a Île-de-France em massa deslocou-se em direção ao centro de convenções de Paris, pois o francês não é apenas um leitor inveterado como também várias pessoas veem, nos dias do salão, uma bela oportunidade para tirar fotos com autores conhecidos.
Confesso que também tenho meu lado tiete. Ano passado, ano em que até trabalhei no salão para ajudar um amigo, pedi em italiano a Umberto Eco uma dedicatória em um exemplar de Il Nome della Rosa que comprei às pressas. Disse-lhe que meu avô era italiano e que eu também era escritor e, para minha felicidade, ele me desejou tudo aquilo que eu quero: auguri!
Espalhados por cinquenta e cinco mil metros quadrados, agentes, associações, instituições, universidades, livrarias, editoras, distribuidoras, revistas literárias e canais de televisão e de rádio. Impossível de ver tudo, ou de caminhar em linha reta: pardon, pardon, pardon. A única coisa da qual eu realmente senti falta foi de livros em língua portuguesa.
Vários estandes também ofereciam aos novos talentos alternativas à publicação de seus livros (via internet, sob demanda etc.).
Claro que, no fundo, sabemos que não é o amor à literatura que faz essa grande roda girar, mas o dinheiro. O verdadeiro escritor ama escrever e quer viver de sua escrita, mas daí até a distribuição de sua obra é outra história. O verdadeiro leitor ama ler e quer informar-se, mas daí até o que lhe é oferecido no interior das livrarias, também, é outra história. Contudo, a França ainda vive da literatura, e a língua francesa é um patrimônio nacional, o que vai completamente de encontro a esse mundo tecnológico e de entretenimentos onde hoje vivemos.
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16° Arrondissement (fevereiro de 2011)
La Tour Eiffel / 7º Arrond.
Eu já tive um sonho nível 4. Foi depois de ver o filme A origem (Inception), mas o tive, influenciado ou não por Leonardo DiCaprio. Sonhei que estava falando com minha prima e que tinha consciência de que estava dormindo. Acordei e sabia que ainda estava dormindo. Mais uma vez acordei e, ainda uma vez, acordei, consciente, naquele momento, de que estava apenas a um nível de distância do meu corpo. A diferença entre o último sonho e os outros sonhos foi a consciência que tive de que o nosso mundo real estava próximo, pelo menos o mundo o qual chamamos de real.
Em 2004 e 2005, tinha viajado tanto que acordei um dia sem saber em que país estava. Já havia tido uma experiência semelhante sem saber em que casa estava, mas sem saber em que país estava era a primeira vez. Fora algo especial, algo que me deixara durante alguns segundos num estado de onipresença. Itália, Espanha ou Portugal? Então, dei-me conta de que estava em Lisboa, prestes a partir para a Suíça.
Às vezes estou dormindo e tenho a certeza de que estou dormindo, o que me dá, nos meus sonhos, super poderes. Várias vezes fui capaz, por saber que tudo não passava de um sonho, de voar, de fazer aparecer objetos na minha mão, ou de vencer inimigos mais fortes do que eu. Contudo, o reverso da medalha é que às vezes estou acordado e não sei se estou dormindo. Dou-me dois tapas na cara, arregalo os olhos e estalo a língua, para ter a certeza de que não posso sair pela janela ou que posso fazer xixi sem correr o risco de sujar a cama - o que ainda não me aconteceu.
Onde foi que tudo começou? Onde e quando aquilo que somos hoje foi definido? Como eu vim, afinal, parar aqui? Estava procurando emprego em Portugal e, graças a uma crise econômica ainda presente, acabei encontrando trabalho na França. E que outro ponto turístico para melhor simbolizar Paris do que a Torre Eiffel, que fica no 7º arrondissement? Algumas cenas do filme A origem foram feitas no 16º arrondissement.
A Torre Eiffel foi construída em 1889, e sua construção teve como origem a Exposição Universal. A ideia era, depois da exposição, desmontá-la, mas os parisienses gostaram tanto daquele emaranhado de ferro que ela acabou ficando onde está até hoje.
Lembrei-me de uma história.
Em 1999, quando ainda trabalhava em Lisboa, vim conhecer Paris com minha mãe, e, como bons turistas que éramos, fomos subir a tal torre. Pegamos o primeiro elevador, cheio, e subimos até o segundo andar. Fomos os primeiros a sair do cubículo e, aproveitando essa oportunidade, segurei minha mãe pela mão e corri em busca do segundo elevador, aquele que vai até a ponta. Aliás, todo o grupo que havia subido conosco nos seguiu. Encontrei o segundo elevador, e, para nossa sorte, havia espaço apenas para mais nós dois. Que glória senti naquele momento, olhando os turistas que teriam de esperar o próximo trem, todavia, desta vez para nossa surpresa, o elevador começou... a descer. Pegamos o cubículo errado.
- Mira ! Mira ! Mira ! - mostrei os bilhetes para a ascensorista, que nos mandou aguardar um novo giro.
Eis, então, que subimos de novo e encontramos o elevador correto no segundo andar, com uma enorme fila feita pelas pessoas que havíamos deixado para trás. Envergonhados, rimos.
Na altura, nem sonhava que um dia fosse viver em Paris.
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17° Arrondissement (fevereiro de 2011)
Paris mulher
Se classificássemos as cidades por gênero, diríamos que Madrid é homem, Sevilha, mulher, Berlim, homem e Florença, mulher. Veneza, amantes, Londres, sir, Barcelona, juventude e Lisboa, Amália Rodrigues. Paris? Bien sûr ! Paris, mulher. Uma mulher cheirosa, elegante, de seios nus e com uma bandeira na mão — uma mulher que, sem dúvida, estaria vivendo no décimo-sétimo arrondissement.
Não tenho muito para dizer sobre esse canto de Paris, contudo, chegamos ao bairro onde morou Rita Hayworth, Sarah Bernhardt e as escritoras Françoise Sagan e Colette; onde também viveram a família Dumas, Debussy, Manet, Ravel e Verlaine, mas quem quer falar do Paul, quando se tem diante de si Michelle, ma belle ?
Paris é assim: ela é bela como Hayworth, inteligente como Colette, frágil e independente como Sagan e acima dos homens, como Sarah. Penso que não exista um registro visual de Sarah Bernardt representando, mas ninguém ousa negar seus talentos. Paris é admirada, desejada e amada por todos. Paris é inesquecível, mesmo para aqueles que nunca a viram. Paris é virgem, Paris é mulher. Paris perdoa tudo, mas, como disse a própria Sarah, Paris não esquece.
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18° Arrondissement (janeiro de 2011)
Montmartre
Quem diz Montmartre, diz Pigalle, diz Moulin Rouge, diz Sacre-Cœur; quem diz Place de Tertres, imagina Renoir, Degas, nus, Toulousse-Lautrec. Uma cena que foi eternizada pela vida que levou, quando era jovem, com seus vinte e poucos anos e seu copo de absinto, sentado ao lado de dançarinas de can-can. Contudo, quem vai a Montmartre, encontra um turismo desenfreado, escolhe lembrancinhas importadas e tenta evitar os golpes dos ciganos.
Nenhum pintor ou poeta poderá reviver os anos artísticos de Montmartre... em Montmartre. Hoje, a idade chegou àquelas ruas, e o que fez aquele lugar ganhar a fama que ganhou foi a originalidade, não a reciclagem. É como se disséssemos que Van Gogh poderia voltar a pintar no mesmo quarto da casa de seu irmão, ignorando os turistas ao pé de sua janela e os guias a explicarem tudo aquilo que ele nunca imaginou.
Não podemos borrar cores que estão secas. O lugar físico está lá, mas a alma desse bairro partiu, espalhou-se pelo mundo, voou até os quartos dos jovens artistas desconhecidos que estão tentando viver de sua arte, uma arte faminta, acima de tudo; Amedeo Modigliani não vive mais no 18° arrondissement, vive na periferia, onde é capaz de pagar, com dificuldade, o aluguel de seu quarto.
Pigalle: sex shops e casas de massagem e de strip-tease; uma válvula de escape para todo o tráfico do sexo que existe na Europa. Mulheres dos países do leste que tiveram seus passaportes confiscados por cafetões e cocktails caros a serem pagos por curiosos desavisados.
Moulin Rouge: dançarinas de can-can a cem metros e uma garrafa de champanhe na mesa a cem euros.
Sacre-Cœur: a Meca católica - turistas a girarem no sentido horário em torno de um altar e a serem repreendidos por tirarem fotos escondidas; se quiserem clichês, que comprem postais na lojinha da paróquia.
Place de Tertris: caricaturas, quadros feitos em série e caros, uma homenagem ao nome da praça.
Mas nem tudo virou passado em Montmartre; ainda temos a vindima, que, apesar de quase nos impedir de andar pelas rua Azaïs, traz o senhor de sessenta anos de volta a casa, com a mesma paixão de quando era jovem, porém, mais experiente.
Montmartre dos seus boêmios, da vida que eu tive, Montmartre.
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