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André Carretoni


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2000

Textos

Oração de um quase Ex-alcóolatra

Neste mar de conflitos, deixamo-nos penetrar em nossos sonhos mais temidos. A tempestade que cai, fraca e eterna, transforma-nos a todos em histórias aos quadrinhos, heróis, cômicos, infantis e quadrados. Partimos duma natureza cega e ignorante para algo parecido com um
bonsai podado.

Lembra-se de como éramos corajosos? Ríamos de tudo e chorávamos quando não ganhávamos uns chicletes, queríamos o mundo, e o mesmo mundo ruía quando não conseguíamos nossos objetivos. Mas é claro que isso foi antes do inverno, antes da estação que destruiu nossos desejos frustrados com o objetivo de nos transformar em pessoas melhores. Aceitamos a vida da maneira como ela veio, arrasadora como um
napalm, para um dia chamarmos a isso tudo de maturidade.

Gostaria de que me deixassem um pouco em paz. Prefiro morrer um pouco angustiado por não ter conseguido tudo o que quis desta vida, morrer incompleto.

– Deus, O Senhor está aí? Não destrua tão rapidamente o que eu tenho de pior. Sinto-me um fraco com esta imobilidade dos sábios, santos e profetas. Ainda quero morrer com uma explosão de meu ser e não um dia simplesmente parar de respirar; quero morrer sem ter tido tempo para meditar sobre os fracassos e os sucessos que tive na vida; quero apenas viver, viver da maneira mais plena possível.

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